Tenho a máquina da roupa na marquise. Guardo as FR sujas num cesto aberto e esburacado mesmo em frente da máquina. O estendal corre a marquise de uma ponta à outra que, só por si, é estreita e curta. Assim se faz a nossa lavandaria.
Resultado: bom, bom, bonzinho, aceitável, médio, mas que cheiro é este?, mau, mau, muito mau, horrível!, insuportável!! As regras que me tinham dado não estavam a funcionar, ia eu ainda no primeiro pacote de detergente ecológico. Mesmo assim insisti e comprei o segundo. Passei a usar anti-amónia em todas as lavagens, comecei a pôr o dobro... o triplo... o quádruplo do detergente que me tinham recomendado inicialmente, depois comecei a fazer o mesmo com o anti-amónia. Nada parecia resultar.
A minha primeira mudança foi em relação à lixívia. Decidi arriscar e desinfetar todos os absorventes que tinha com lixívia. A 95º! Resultou! Embora a junção (lixívia + alta temperatura) seja redundante, mas em tempos de pânico, qualquer coisa vale... Finalmente, os absorventes tinham voltado à estaca zero. Mas ao retomar a rotina, voltaram ao horror da amónia bem mais rápido do que da última vez. Pedi imensa ajuda no grupo das Fraldas Reutilizáveis do Facebook, e percebi que não era a única a travar esta batalha. O problema não estava em mim... Percebi também que uma data de mães já tinham percebido em que estavam a falhar, e que se encontravam presentemente muito satisfeitas com a sua evolução. O problema também não estava nas fraldas!
Por esta altura, adquiri uma máquina nova porque a velha tinha acabado de dar o berro. É uma Whirlpool com 6º sentido, muito boa! Leva até 9Kg (a outra só levava uns 5Kg, imagino - não é ponto negativo, é só ponto de mudança), pesa a roupa que lá ponho e indica a quantidade de detergente que devo acrescentar. O que vai a mais, desperdiça. Para poupar a roupa ao problema do detergente a mais. Decidi então passar a usar o detergente que a máquina indica, nem mais nem menos.
Passei a ter de pôr mais roupa na máquina, por lavagem, e decidi então lavar as FR juntamente com todo o resto da roupa da casa. Por ordem, faço sempre assim: 1º ponho as FR, 2º adiciono toalhas e roupa de cama, 3º adiciono roupa interior e pijamas, 4º adiciono todo o resto da roupa do dia a dia. Mas acabo sempre por ter de pôr tudo na máquina, e normalmente o que fica para trás, fica à espera de uma nova máquina. Ou seja, não há roupa cá em casa que não lave à mistura das fraldas, e isto não tem trazido problemas a nenhum nível. Esta foi a minha segunda grande mudança, depois da aventura com a lixívia (que foi pontual).
Em acabando o meu segundo pacote de detergente ecológico, dei de caras com este link http://www.ecobabysteps.com/2013/04/03/cloth-diaper-laundry-additives-enzymes/, que fala sobre a importância das enzimas, e decidi passar a usar o detergente normal cá de casa (que é, neste momento o Tide Original em pó, tendo já passado pelo fantástico Xau Max 3 e o agradável Skip de Sabão de Marselha). Foi aqui que finalmente as coisas começaram a mudar, e eu comecei a ter muito bons resultados quanto à eficácia da lavagem das minhas FR! Posto isto, deixei também de lado o anti-amónia (que também é ecológico), e passei a usar Oxi Action (Vanish Oxi Action, Extra Higiene ou o standard, são as minhas versões favoritas).
As minhas FR continuam em excelente estado, não preciso de as lavar a mais de 40º de vez em quando porque estão sempre cheirosinhas, parece que já nem me lembro das lágrimas que o cheiro e os vapores da amónia provocam, voltei a lavar todos os absorventes com lixívia a 95º só mais uma vez, para começar de novo sem restos dos maus hábitos que tinha antes de mudar de detergente, mas nunca mais precisei de o fazer. E ganhei um pó tão grande aos detergentes ecológicos que já nem com Swiffer m'o tiram!
Conclusão: Percebi que se o problema associado às enzimas e branqueadores ópticos são o entupimento dos absorventes, o assar do rabo e o deteriorar do tecido, ao menos deixam-nas limpinhas. Porque pior, faz a amónia! Não há nada que entupa tanto um absorvente quanto a amónia, não há nada que asse mais um rabo do que o próprio xixi e cocó e não há nada que deteriore tanto um tecido quanto a má lavagem.
Assim sendo:
- Lavo as FR a 40º, juntamente com o resto da roupa, com o detergente normal cá de casa.
- Uso Oxi Action quando bem me apetece.
- Uso lixívia nos absorventes quando bem me apetece (embora não sinta grande necessidade disso).
- Uso amaciador quando bem me apetece (embora também não sinta grande necessidade disso. Este produto em particular é que requer algum cuidado de escolha, pelo facto de qualquer tecido, seja FR seja roupa vulgar, se dar melhor com amaciadores à base de plantas. Cá em casa, escolhi o ecológico da Ultra Pro: a este eco não tenho pó pelo simples motivo de não servir para o factor primário de lavar, mas apenas para o factor secundário de amaciar).
- Opto por um programa longo, que na minha máquina diz respeito ao que gasta menos energia, e gosto de fazer sempre um enxaguamento extra no final, para garantir que toda a roupa fica isenta de qualquer réstia dos produtos que usei.
Resultados: o rabiosque do Tito não reage aos produtos, que é sinal de que estão bem enxaguadas (se reagisse, mudava de detergente, até encontrar um compatível com ele, e passaria a lavar toda a roupa cá de casa com esse achado).
Entretanto, encontrei também este artigo http://cgmrb.blogspot.pt/2013/10/cloth-diaper-washing-myth-busters.html?m=1, caçador de mitos (que traduzo em parte e falo sobre, neste link: http://paninhosdeouro.blogspot.pt/2015/03/a-caca-de-mitos.html). Fala precisamente disto, do facto das FR serem tão roupa quanto todo o resto de roupa que temos, e de não precisarem de ser tratadas como se não o fossem.
Detalhe prático: quando o bebé faz "nr2", basta verte-lo para dentro da retrete. Se for preciso, dá-se uma chuveirada antes de pôr a fralda na máquina. Eu não gosto de molhar a fralda antes de a lavar porque (apesar de não ser o mesmo) não se deve pôr as FR de molho à espera de serem lavadas. Contribui para o desenvolvimento da bicharada. Por isso, deixo-vos a minha preferência, que me ajuda a poupar trabalho: Em cada muda, gosto de usar um papelinho biodegradável (que se vende aos rolos de 100 por 5€) em viscose, que se coloca por cima da fralda. Este papelinho ajuda a manter uma sensação de rabinho sêco, e poupa em grande parte a fralda ao contacto com as fezes. Quando as há, pega-se no papelinho e deita-se directamente na retrete (ou melhor, entorna-se, sem tocar), e a fralda fica como se não tivesse havido nada.
Portanto, resumindo, é fácil: trato as FR da mesma forma que trato o resto da roupa. Por tópicos:
- FR é a primeira roupa a entrar na máquina, seguidamente das toalhas, lençóis, roupa interior e roupa normal - por esta mesma ordem;
- Programa para roupa muito suja, com enxaguamento extra (há quem não faça, mas eu gosto);
- Detergente em pó, não ecológico, na quantidade que o pacote ou a máquina indicam, nem mais nem menos (há quem prefira líquido, nesse caso é apenas preciso garantir que o detergente não tem amaciadores e condicionadores indesejados à mistura);
- Uma dose de Oxi Action na gaveta da pré-lavagem, para ser a primeira coisa a ser engolida pela máquina (também há quem não faça, mas eu gosto);
- 40º, não precisa de mais;
- Estendal para secar.
Em lista, os produtos que costumo ter cá em casa:
- Detergente = Tide Original, ou então Xau Max 3.
- Oxigénio Activo = Oxi Action Original, da Vanish.
- Amaciador = Ecológico da Ultra Pro.
- Lixívia = Tradicional da Neo Blanc.
É a minha escolha pessoal. Há quem prefira tudo de marca branca, e se dê muito bem. ;)
Et voilá! :)