domingo, 22 de março de 2015

Rotina d'Oiro


Tenho a máquina da roupa na marquise. Guardo as FR sujas num cesto aberto e esburacado mesmo em frente da máquina. O estendal corre a marquise de uma ponta à outra que, só por si, é estreita e curta. Assim se faz a nossa lavandaria.

Confesso que, ao início, complicava um bocado a rotina da lavagem de FR. Usava uma colher de sopa de detergente ecológico, porque assim me tinham ensinado. Nada de enzimas, nada de branqueadores, lixívia nunca, amaciador ainda menos! Só uma colher de sopa de detergente, mais uma de sobremesa de anti-amónia apenas uma vez por mês. Máquina até aos 40º.

Resultado: bom, bom, bonzinho, aceitável, médio, mas que cheiro é este?, mau, mau, muito mau, horrível!, insuportável!! As regras que me tinham dado não estavam a funcionar, ia eu ainda no primeiro pacote de detergente ecológico. Mesmo assim insisti e comprei o segundo. Passei a usar anti-amónia em todas as lavagens, comecei a pôr o dobro... o triplo... o quádruplo do detergente que me tinham recomendado inicialmente, depois comecei a fazer o mesmo com o anti-amónia. Nada parecia resultar.

A minha primeira mudança foi em relação à lixívia. Decidi arriscar e desinfetar todos os absorventes que tinha com lixívia. A 95º! Resultou! Embora a junção (lixívia + alta temperatura) seja redundante, mas em tempos de pânico, qualquer coisa vale... Finalmente, os absorventes tinham voltado à estaca zero. Mas ao retomar a rotina, voltaram ao horror da amónia bem mais rápido do que da última vez. Pedi imensa ajuda no grupo das Fraldas Reutilizáveis do Facebook, e percebi que não era a única a travar esta batalha. O problema não estava em mim... Percebi também que uma data de mães já tinham percebido em que estavam a falhar, e que se encontravam presentemente muito satisfeitas com a sua evolução. O problema também não estava nas fraldas!

Por esta altura, adquiri uma máquina nova porque a velha tinha acabado de dar o berro. É uma Whirlpool com 6º sentido, muito boa! Leva até 9Kg (a outra só levava uns 5Kg, imagino - não é ponto negativo, é só ponto de mudança), pesa a roupa que lá ponho e indica a quantidade de detergente que devo acrescentar. O que vai a mais, desperdiça. Para poupar a roupa ao problema do detergente a mais. Decidi então passar a usar o detergente que a máquina indica, nem mais nem menos.

Passei a ter de pôr mais roupa na máquina, por lavagem, e decidi então lavar as FR juntamente com todo o resto da roupa da casa. Por ordem, faço sempre assim: 1º ponho as FR, 2º adiciono toalhas e roupa de cama, 3º adiciono roupa interior e pijamas, 4º adiciono todo o resto da roupa do dia a dia. Mas acabo sempre por ter de pôr tudo na máquina, e normalmente o que fica para trás, fica à espera de uma nova máquina. Ou seja, não há roupa cá em casa que não lave à mistura das fraldas, e isto não tem trazido problemas a nenhum nível. Esta foi a minha segunda grande mudança, depois da aventura com a lixívia (que foi pontual).

Em acabando o meu segundo pacote de detergente ecológico, dei de caras com este link http://www.ecobabysteps.com/2013/04/03/cloth-diaper-laundry-additives-enzymes/, que fala sobre a importância das enzimas, e decidi passar a usar o detergente normal cá de casa (que é, neste momento o Tide Original em pó, tendo já passado pelo fantástico Xau Max 3 e o agradável Skip de Sabão de Marselha). Foi aqui que finalmente as coisas começaram a mudar, e eu comecei a ter muito bons resultados quanto à eficácia da lavagem das minhas FR! Posto isto, deixei também de lado o anti-amónia (que também é ecológico), e passei a usar Oxi Action (Vanish Oxi Action, Extra Higiene ou o standard, são as minhas versões favoritas).

As minhas FR continuam em excelente estado, não preciso de as lavar a mais de 40º de vez em quando porque estão sempre cheirosinhas, parece que já nem me lembro das lágrimas que o cheiro e os vapores da amónia provocam, voltei a lavar todos os absorventes com lixívia a 95º só mais uma vez, para começar de novo sem restos dos maus hábitos que tinha antes de mudar de detergente, mas nunca mais precisei de o fazer. E ganhei um pó tão grande aos detergentes ecológicos que já nem com Swiffer m'o tiram!

Conclusão: Percebi que se o problema associado às enzimas e branqueadores ópticos são o entupimento dos absorventes, o assar do rabo e o deteriorar do tecido, ao menos deixam-nas limpinhas. Porque pior, faz a amónia! Não há nada que entupa tanto um absorvente quanto a amónia, não há nada que asse mais um rabo do que o próprio xixi e cocó e não há nada que deteriore tanto um tecido quanto a má lavagem.

Assim sendo:
- Lavo as FR a 40º, juntamente com o resto da roupa, com o detergente normal cá de casa.
- Uso Oxi Action quando bem me apetece.
- Uso lixívia nos absorventes quando bem me apetece (embora não sinta grande necessidade disso).
- Uso amaciador quando bem me apetece (embora também não sinta grande necessidade disso. Este produto em particular é que requer algum cuidado de escolha, pelo facto de qualquer tecido, seja FR seja roupa vulgar, se dar melhor com amaciadores à base de plantas. Cá em casa, escolhi o ecológico da Ultra Pro: a este eco não tenho pó pelo simples motivo de não servir para o factor primário de lavar, mas apenas para o factor secundário de amaciar).
- Opto por um programa longo, que na minha máquina diz respeito ao que gasta menos energia, e gosto de fazer sempre um enxaguamento extra no final, para garantir que toda a roupa fica isenta de qualquer réstia dos produtos que usei.

Resultados: o rabiosque do Tito não reage aos produtos, que é sinal de que estão bem enxaguadas (se reagisse, mudava de detergente, até encontrar um compatível com ele, e passaria a lavar toda a roupa cá de casa com esse achado).

Entretanto, encontrei também este artigo http://cgmrb.blogspot.pt/2013/10/cloth-diaper-washing-myth-busters.html?m=1, caçador de mitos (que traduzo em parte e falo sobre, neste link: http://paninhosdeouro.blogspot.pt/2015/03/a-caca-de-mitos.html). Fala precisamente disto, do facto das FR serem tão roupa quanto todo o resto de roupa que temos, e de não precisarem de ser tratadas como se não o fossem.

Detalhe prático: quando o bebé faz "nr2", basta verte-lo para dentro da retrete. Se for preciso, dá-se uma chuveirada antes de pôr a fralda na máquina. Eu não gosto de molhar a fralda antes de a lavar porque (apesar de não ser o mesmo) não se deve pôr as FR de molho à espera de serem lavadas. Contribui para o desenvolvimento da bicharada. Por isso, deixo-vos a minha preferência, que me ajuda a poupar trabalho: Em cada muda, gosto de usar um papelinho biodegradável (que se vende aos rolos de 100 por 5€) em viscose, que se coloca por cima da fralda. Este papelinho ajuda a manter uma sensação de rabinho sêco, e poupa em grande parte a fralda ao contacto com as fezes. Quando as há, pega-se no papelinho e deita-se directamente na retrete (ou melhor, entorna-se, sem tocar), e a fralda fica como se não tivesse havido nada.

Portanto, resumindo, é fácil: trato as FR da mesma forma que trato o resto da roupa. Por tópicos:
- FR é a primeira roupa a entrar na máquina, seguidamente das toalhas, lençóis, roupa interior e roupa normal - por esta mesma ordem;
- Programa para roupa muito suja, com enxaguamento extra (há quem não faça, mas eu gosto);
- Detergente em pó, não ecológico, na quantidade que o pacote ou a máquina indicam, nem mais nem menos (há quem prefira líquido, nesse caso é apenas preciso garantir que o detergente não tem amaciadores e condicionadores indesejados à mistura);
- Uma dose de Oxi Action na gaveta da pré-lavagem, para ser a primeira coisa a ser engolida pela máquina (também há quem não faça, mas eu gosto);
- 40º, não precisa de mais;
- Estendal para secar.

Em lista, os produtos que costumo ter cá em casa:
- Detergente = Tide Original, ou então Xau Max 3.
- Oxigénio Activo =  Oxi Action Original, da Vanish.
- Amaciador = Ecológico da Ultra Pro.
- Lixívia = Tradicional da Neo Blanc.

É a minha escolha pessoal. Há quem prefira tudo de marca branca, e se dê muito bem. ;)

Et voilá! :)